Unbound Saga

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Escrito por Hugo Bessa, no dia 27 de Julho de 2009 às 20:33, nas categorías Críticas e Destaques.

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Caso sejam jogadores da velha guarda, estão certamente lembrados de clássicos como Streets of Rage, Final Fight ou Double Dragon, que são nomes que ajudaram a sustentar o génerodos beat’em up como um dos mais adorados nessa época de ouro. Infelizmente, como nem tudo na vida dura sempre, este foi um género que, com o passar dos anos foi desaparecendo, provocando um vazio nos corações de quem o seguia. Sabendo deste vazio, a Vogster Entertainment decidiu criar um jogo que tivesse esse estilo como base. Mas será que a sua criação conseguiu atingir o nível de divertimento dos clássicos das 8 e 16 bits?

Lançado em exclusivo para a PlayStation Portable, Unbound Saga é um “tareia-neles” que tem como pano do fundo um estilo a fazer lembrar o mítico Comix Zone, visto que é passado integralmente nas paginas de uma revista de banda desenhada. O grafismo das personagens, os ambientes de fundo e as animações de todos os elementos presentes no ecrã da portátil estão bem conseguidos, criando a sensação de que se trata mesmo de uma BD com elementos móveis.

A história conta as peripécias de duas personagens: Rick, um bruta-montes especialista em ataques de wrestling cujo único objectivo é escapar do mítico “The Maker”, que não é mais do que uma cópia do inimigo principal de Comix Zone (não faltando até o pormenor da sua mão a desenhar os inimigos, numa outra alusão ao clássico da Sega), mas que, na sua demanda encontra pelo caminho Lori, a outra personagem, uma rapariga com estilo porn-star (fio dental incluído), que é especializada em jujutsu.

E aqui entra o primeiro problema do jogo, pois tendo duas personagens diferentes em jogabilidade, a Vogster podia e devia ter criado situações bem mais complexas para se poder resolver. Sendo este um jogo com estilo inspirado em Comix Zone, deviam ter aprendido com este clássico, como se pode oferecer ao jogador puzzles e desafios mais inteligentes e divertidos do que os habituais. Alavancas e vencer um certo numero de inimigos num espaço de tempo é tão banal.

Ao longo dos 10 níveis do jogo, o jogador tem pouco que o incentive a avançar, especialmente a nível de história, que não é muito convincente, onde a única surpresa se reserva para o fim, a altura em que soltei pela primeira vez um sorriso com o jogo.

A jogabilidade apesar de datada, está até bem conseguida. As personagens são dotadas de boas animações, com especial destaque para a execução de combos com o Rick, onde a Vogster provou que tem boa capacidade, especialmente por oferecer controlos simples onde a cada botão da portátil está reservada uma acção especifica. A qualquer altura dos níveis é possível alternar entre as personagens de modo a poder usa-las de acordo com a situação criada ou até mesmo para poder usufruir daquilo que eu chamo um pequeno “cheat” do jogo, isto porque, quando temos a nossa personagem quase sem vida, alternando para a outra, que, entretanto, foi usada pelo IA, podemos continuar a batalhar mas com uma personagem com a barra de vida cheia, e tudo porque raramente é atingida pelos inimigos, apesar de combater ao nosso lado. Assim, caso queiram chegar ao fim do nível sem muitos problemas aconselho-vos a usarem este método, pois foi um erro (premeditado?) que ajuda, e muito, o jogador. De realçar que, no fim dos níveis, é possível fazer upgrades às personagens, onde,, através de pontos de experiência podemos melhorar as capacidades delas ou até mesmo desbloquear novos ataques e combos, embora pouca influência tenham para o desfecho do jogo que se presenta fácil e sem nenhum tipo de desafio aos mais experientes.

A nível sonoro, o jogo é dos piores que circulam para portátil, com destaque para as musicas “speedadas” e outras de estilo hard-rock, que pouco ou nada acrescentam ao jogo. Aliás, muitas foram as vezes em que pus o volume da consola no mínimo de modo a evitar a irritação que a música provoca. Já as vozes das personagens estão mais dentro dos parâmetros normais, com destaque para as piadas de Rick tendo sempre como destino a sua parceira Lori.

Concluindo, pouco mais me resta para vos dizer. Estaria a mentir se dissesse que este jogo não me fez reviver bons momentos passados com outros clássicos do género, mas com vários defeitos à mistura e especialmente quando temos como comparação o Comix Zone, é fácil decidir para que lado me inclinar, apesar dos anos que separam estes dois titulos. Mas se forem capazes de ignorar as falhas e defeitos deste jogo, podem sempre passar umas três ou quatro horas minimamente divertidas com Unbound Saga, especialmente se procuram um jogo onde a porrada é a palavra de ordem.

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