Detalhes
Com inúmeras versões de Magic the Gathering para várias plataformas de videojogos já estava a tardar uma versão para os possuidores de uma Xbox 360, e apesar de tardia é sempre bem-vinda, restando verificar apenas em que medida esta é realmente bem-vinda.
Ao iniciarmos o jogo, temos a opção de jogar contra adversários humanos, através do Xbox Live, ou contra a Inteligência Artificial, em alguns modos de jogo que permitem dar alguma variedade e longevidade, mas sempre focados no confronto com cartas. Como é óbvio, jogar contra um adversário humano do nosso nível é mais divertido do que jogar contra a consola, nem que seja pela componente social, mas mesmo assim, a IA do jogo está boa e consegue ser desafiante quanto baste, não cometendo erros de maior.
O principal modo de jogo é a campanha, onde iremos defrontar inimigos virtuais, cada um com o seu baralho e modo de jogar especifico. Avançando pela campanha iremos desbloquear cartas que depois poderão ser adicionadas aos nossos baralhos já desbloqueados. O jogo ainda permite jogar a dois, de forma cooperativa, trazendo alguma originalidade a esta versão de Magic the Gathering.
O aspecto visual do videojogo segue a linha gráfica do jogo de cartas, com relevo para as imagens digitalizadas das cartas originais e como tal, somos brindados com inúmeras das ilustrações magnificas feitas de propósito para o jogo de cartas. Os cenários, apesar de inspirados neste universo, acabam por fazer pouco mais do que cumprir a obrigação de preencher espaço no ecrã, ou seja, estão lá, mas são quase irrelevantes do ponto de vista estético.
O som resume-se a pouco mais do que sons de danos, feitiços e umas poucas músicas esquecíveis. Com o aspecto sonoro tão descuidado temos o motivo perfeito para acedermos ao dashboard da consola e por a tocar um bom álbum de música para acompanhar os nossos duelos.
No meu caso pessoal, fui jogador de Magic the Gathering durante uns bons anos, mas isto já foi há quase uma década e felizmente que o gosto pelo jogo sempre se manteve apesar de não o poder desenvolver como nesses tempos idos. Assim, tenho boas recordações de grandes jogos com um grupo de amigos, num ambiente relaxado mas com uma boa dose de competição para apimentar os duelos e perante este jogo no Xbox Live Arcade, encontrei uma boa oportunidade de recordar este jogo, revivendo um pouco da intensidade inerente a Magic the Gathering, sem ter de investir somas avultadas de dinheiro e tempo.
O primeiro contacto foi agradável e apesar de não ter as cartas na mão, mas sim um comando de consola, deu para perceber que o “bichinho” ainda estava cá dentro. O primeiro baralho com que pude jogar foi um verde de trample, bastante básico, mas em breve desbloqueie outros baralhos de outras cores. O problema é que sentia sempre que eram demasiado básicos e para piorar toda a situação o jogo não possui um editor de baralhos digno desse nome. O aborrecimento estava prestes a instalar-se quando finalmente desbloqueie um baralho azul, a minha cor preferida, sendo baseada no controlo do jogo e em boa parte na manipulação do jogador adversário. De repente o tal “bichinho” acordou em boa força e um sorriso chegou à minha cara sempre que fazia uma jogada um pouco mais complexa, mesmo com um baralho de nível relativamente básico. Eventualmente desbloqueamos baralhos mais avançados, mas o número limitado destes acaba por impor um limite à longevidade e interesse do jogo.
Apesar de desbloquearmos cartas à medida que derrotamos adversários, apenas podemos adicionar estas cartas aos baralhos já existentes, sendo que não podemos remover cartas. Ou seja, não podemos criar baralhos à nossa medida, com as estratégias criadas por nós, apenas podemos alterar um pouco o que está feito por default em cada baralho. Esta foi sem dúvida a maior desilusão deste jogo e é sem dúvida o seu maior defeito. Se por um lado permite não assustar e alienar jogadores que vão entrar pela primeira vez em contacto com este universo, por outro cospe na cara de todos os jogadores que já jogaram Magic the Gathering com um mínimo de empenho. A criação de baralhos próprios, o desenvolver estratégias nossas é uma parte considerável do que torna Magic the Gathering num jogo muito viciante e muito aliciante. Infelizmente esta vertente do jogo de cartas ficou de fora nesta versão da Xbox 360.
Magic the Gathering Duel of the Planeswalkers é um bom jogo para quem pretende iniciar-se neste jogo de cartas, pois permite aprender a jogar sem requerer ao jogador um investimento considerável em dinheiro. Será também uma forma interessante de matar as saudades dos jogadores que deixaram o jogo há vários anos atrás, mas apenas se não estiveram à espera de algo com alguma profundidade. Para jogadores que levem o jogo mais a sério esta poderá ser apenas uma desilusão.
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