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Motion control, mais conhecido como “aquela-característica-revolucionária-da-Wii-que-todos-pensaram-que-iria-rapidamente-passar-de-moda-mas-que-afinal-não-passou”, não é divertido. Pronto, já o disse. Sim, podem dizer que o que é divertido é “subjectivo”, mas para mim não é divertido, ponto. Nem acho que a indústria dos videojogos precise realmente do exagero mediático que se está a gerar em sua volta.
Ok, a realidade virtual é discutivelmente um dos maiores objectivos a serem alcançados pela indústria dos videojogos, mas para mim o motion control da Wii não passa de uma tentativa medíocre para a alcançar. Eu realmente não quero saber se quando faço um gesto de bater uma bola com uma raquete isso aparece recriado no jogo. Para isso vou lá para fora, agarro numa raquete e faço-o sem partir mobília.
E aqui podemos ver uma das coisas que na minha opinião faz com que a maneira como o motion control está a ser usado seja estúpida: a Wii, pelo menos, opta pela simulação dos nossos movimentos num jogo que simula a realidade. É simplesmente redundante. Para que vou eu estar fechado em casa a jogar um jogo onde faço coisas que posso fazer lá fora num jardim ao ar livre? Não faz sentido. E tirando estes casos, onde incluo jogos como o Wii Sports, os jogos que usam motion control e que tentam realmente passar para lá disso muitas vezes falham redondamente na detecção de movimentos, o que me leva a crer que é uma funcionalidade lucrativa mas ao mesmo tempo um embuste.
Mas suponhamos que o jogo é tecnicamente irrepreensível na detecção de movimentos, e que explora uma nova forma de jogar. E se eu não quiser uma nova forma de jogar? E se eu não quiser estar aos pulos pela sala a agitar os braços que nem um doido à procura da próxima vítima de mobiliário que vai cair ao chão? E se eu quiser estar sentado no sofá agarrado ao comando e ver a minha personagem fazer acrobacias aéreas enquanto massacra todos os inimigos no ecrã?
Sim, inovar é giro, e ver os avanços tecnológicos a contribuírem para o nascer de uma nova jogabilidade também é bom, mas não vamos agora cair em modas idiotas ao ponto de exageradamente incluir essas funcionalidades só porque sim.
É que agora também tanto a Sony como a Microsoft anunciaram na Electronic Entretainment Expo (E3) deste ano os seus dispositivos de motion control para as suas consolas como forma de concorrerem com a Wii. Já a Nintendo anunciou o Vitality Sensor, cuja aplicação é… medir a pulsação. Sim, exactamente, ainda não tem qualquer tipo de aplicação prática em videojogos. Certo, o comando da Wii foi uma revolução, mas a sério: chegar a este ponto?
Esta ideia de querer arrancar o jogador à força do sofá é completamente errada. Claro que não devemos fomentar sedentarismos, mas honestamente, se alguém quiser fazer exercício não há nada como uma corridinha lá fora: faz melhor à saúde e à carteira.
Mas ainda assim será que, no fim de tudo, o motion control diverte? Isso dependerá de cada um claro, e os números de vendas da Nintendo Wii deverão falar por si, mas independentemente de apelarem e divertirem novas gerações, penso que deve ser uma coisa a moderar. É como a sexualidade nos videojogos: muita torna o jogo em pornografia, pouca torna-o um púdico. Há que saber encarar as coisas com seriedade e não apenas como um filão que vai trazer mais dinheiro à companhia.
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